terça-feira, 21 de abril de 2020

Fragmentos teus



A cicatriz no queixo que nunca tive coragem de perguntar o que foi;
A tatuagem estranha vinda das terras santas.


O (des)jeito de soltar os braços sem saber exatamente o que fazer com eles;
O medo.


A insegurança.

Os joguinhos estúpidos;
Os testes que eu nunca poderia gabaritar.


As estranhezas todas e
Até o fim é um fragmento teu;



Não meu.
Não nosso.


Isabel Luz

Respiro 001

Fiz esse gif prum vídeo que nunca vai pro ar :)

Desde o último post aqui, muita coisa aconteceu dentro do nada que a quarentena representa na minha vida. 
Percebi que estou ficando velha. Agora, eu olho para menines mais novos 3/4 anos que eu e já vejo como as ações que eles têm em relação a Isabel com a mesma idade são diferentes. Apesar da percepção da passagem do tempo, vejo essa nova subgeração com divertimento: gosto da maneira como eles interagem de forma mais massiva com a internet (mesmo não sabendo se esse envolvimento é bom ou ruim). Estou amando ver tik toks e quem tiver lomotif me manda, porque eu simplesmente AMO. Acho que perceber isso me deixou com saudade da minha adolescência - vejam bem, sou nova e dependente demais da minha mãe para ser adulta, mas velha o suficiente para ser adolescente; sou xófen.
Desejei ter gravado e tirado foto de mais momentos para poder olhar e lembrar de rostos que eu estou esquecendo. A gente [minha subgeração] foi criada acreditando na farsa de que quem tira foto não curte o momento. Eu tenho fotos de momentos os quais eu aproveitei horrores e até hoje posso, graças ao registro. A subgeração mais novinha percebeu isso; eles descobriram antes da gente que podem gravar e fotografar a vontade e ainda curtir o momento.
Outra coisa que eu percebi é em como eu me refugio nas palavras. Palavras são - definitivamente - minha forma de arte. Descobri que até mesmo as legendas de programas que eu estiver assistindo tornam-se um refúgio. Funciona assim: se está acontecendo um momento vergonhoso para mim, simplesmente ignoro a cena e foco apenas na legenda. Tive que parar com as letrinhas porque estava prestando pouca atenção no filme em si. 
Além disso tudo, voltei a fanficar por ai. Fui reler coisas que eu escrevi 5/6 anos atrás e me surpreendi: eu mudaria pouquíssimas coisas da maneira como narrei as histórias. Isso me fez perceber que evoluí sim na minha escrita, mas continuo a mesma Isabel que começou a escrever (lá em 2013, um ano que pareceu ontem para mim). Estou escrevendo algo novo e funciona assim: eu passo 30-60 minutos escrevendo de fato e umas 3 horas relendo tudo que já escrevi, me divertindo como se não tivesse sido eu quem escreveu. Eu sou assim: escrevo quando não suporto guardar aquela história nas mídias imagéticas da minha mente, que são muito limitadas, e preciso passar a ver mais detalhes; minha memória é visual (outra coisa que descobri nessa quarentena: passar resumo a limpo nunca mais, vou resumir e ler mil vezes que ganho mais).
Estou viciada em um canal de youtube de uma garota chamada Shirin Elouise. Toda essa reflexão sobre subgerações foi concluída a partir dele.
No mais, estou ouvindo o novo cd do Conan Gray e Rex Orange County. Passei meu aniversário dormindo e cortei a franja (não me recordo de ter registrado isso aqui). 

Espero que a quarentena acabe logo e também que vocês estejam bem.

Um cheiro no olho,













Bebel

quinta-feira, 26 de março de 2020

Respira


Por muito tempo eu me interroguei se eu poderia me chamar de escritora, mesmo sem todas as validações impressas que existem para isso - seja um diploma ou um livro publicado. Eu ficava repetindo que minhas fanfics não eram romances, que meus romances eram historinhas para passar o tempo, minhas crônicas eram desabafos e meus poemas só uma forma de dizer que eu amava alguém. Por vezes, as pessoas me diziam que eu era uma boa escritora e eu apenas sorria porque, como explicar que eu não conseguia me validar completamente por mim mesma de que eu era uma Escritora?!
Então, eu cheguei a um comentário de uma pessoa muito querida que me disse: você não precisa de nada ou ninguém para validar sua arte, normalmente a validação dos outros demora tanto que o artista morre sem identificação. Isso mudou meu jeito de lidar com o temido título. Primeiro porque - na minha cabeça - não era arte aquilo que eu fazia (eram historinhas para passar o tempo, desabafos, uma forma de dizer que eu amava alguém...); segundo porque, olha o poder que essas palavras trazem: você não precisa de nada ou ninguém para validar sua arte. Olha como é forte o fazer artístico, o descobrir-se artista, o entender-se artista.
Nietzsche disse em algum lugar que temos a arte para não morrermos com a verdade. Mas, quando se é um artista, a verdade é total, inteira e completamente transformada em arte, enquanto a arte é total, inteira e completamente transformada em verdade. Não me basta ser escritora e usar isso para fugir da verdade, eu converto minha verdade no que eu escrevo e o que eu escrevo na minha verdade, porque desistir da escrita é exatamente a mesma coisa de desistir de respirar para mim.


(O tema das postagens coletivas do together era "exposição de arte" e eu gostei de trazer essa crônica metalinguística para mostrar a minha:))

Um cheiro,

Isabel.

Créditos do gif do Enrico: https://66.media.tumblr.com/23e3521ab866e6a0b332ab7e58ea528f/tumblr_owc6692qzD1uk80wco1_500.gif (to na terceira temporada de Irmão do Jorel, só quem já viu vai entender a saudade que o gif traz)


Esse texto faz parte do projeto de blogagem coletiva Together, 
que une uma galerinha da blogosfera :)

domingo, 22 de março de 2020

Sobrevivendo à quarentena #001

cred.: https://media.giphy.com/media/A6Mgeo38LN9Ic/giphy.gif
Da última vez que eu dei as caras por aqui, o mundo ainda não estava em pleno após Calipso. E nesse meio tempo aconteceram algumas coisas sim, mas nada muito louvável.
Entrei na academia (tá, isso é louvável porque eu fui até começar a quarentena), recomeçaram as aulas, muito conteúdo, restaurante universitário (ru a partir de agora nesse blog), muita gente que eu gosto de ver, conversar e abraçar (agora não podemos, mas podíamos e poderemos). Enfim, só a programação normal da minha vida. (exceto a academia né)
Então, eu estava satisfeita em voltar ao normal até esse vírus atrevido jogar tudo pro ar (e deixar ai pra gente juntar). Mas isso significou tempo zero para aparecer aqui ou editar um vídeozin.
Nesse gap, li também um punhado de coisas: Mia Couto e As provações de Apolo - O oráculo oculto que estavam na minha lista; além de Por lugares incríveis e O garoto dos meus sonhos (um livro que mistura duas coisas que eu sou fascinada: romance e neurociência!!). Em momento oportuno, falarei de cada um por aqui.
Meu timing sempre muito certeiro (voltado pro mal, obviamente) decidiu que ingressar numa crise de sinusite num momento em que uma tossezinha move montanhas (gente, como assim!!!) seria uma excelente ideia. E ai é isso né: todo mundo querendo que eu fique boa em um passe de mágica para se assegurar que não estou corongada (amo ser brasileira e verboalizar toda e qualquer palavra).
Apesar do caos de sempre (dentro de mim) e do caos atual (que coronavírus instaurou) eu estou bem tranquila (também tenho dormido muito). Tenho vivido o momento com certa racionalidade, sem nenhum surto relativo a notícias, ainda que o grupo do meu curso esteja parecendo um pandemônio ~trocadilho ruim~ de informações reais e fakes.
Eu fazia uns posts em 2018 sobre coisas que andava vendo/lendo/ouvindo e pretendo voltar com eles em algum momento. Entretaaanto, por agora, gravei um vídeo de como tem sido meus dias em quarentena por aqui (gente, eu fiz até um roteiro presse vídeo!!!!) e é isso ^.^



Espero que esteja tudo bem por ai e ue vocês não estejam mais surtados que o normal :3
Um online hug,


Isabel.


Créditos do gif de operação cupido: https://i.gifer.com/9H1J.gif








quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Luna Clara & Apolo Onze: uma história infantil sobre desencontros

cred.: https://66.media.tumblr.com/af66f731723146286b849e5e90dfcdcd/tumblr_ps0lm2hmD91wzypxlo1_1280.gif

Quem nunca viveu um grande desencontro na vida? Bom, é disso que fala esse livro da Adriana Falcão (mãe da Clarice Falcão).
O livro começa com a perspectiva da Luna Clara, uma menina habitante de Desatino do Norte (uma cidade onde nunca choveu), criada pela mãe Aventura e suas duas tias: Odisseia e Divina -- cada uma com nome de livro diferente, todas filhas de seu Erudito. O pai de Luna Clara, Doravante, perdera-se de sua mãe ainda muito antes dela nascer; eles se encontraram, se casaram e se desencontraram, tudo em apenas três dias. Isso porque Doravante viajou na frente -- a mando de seu Erudito (que morria de remorso por sua decisão) -- de Desatino do Sul a Desatino do Norte a fim de provar seu amor. Assim, a menina senta e espera seu pai chegar pela estrada que liga as duas cidades desde nova e pela noite fica conversando com a lua -- sua melhor amiga, por ser uma menina bem tímida.
Doravante era um homem de sorte quefalavatudojuntopoisnãogostavadeperdertempo. E é assim mesmo, tudo escrito sem espaço, que Adriana escreve suas falas. Ele anda por ai com seu cavalo Equinócio e a sorte, maaaaas, como nem tudo são flores, ao passar no Meio do Mundo, a ponte cai e ele vira um azarado. A partir dai, Doravante caminha com a chuva em cima de sua cabeça e todo desencontro possível em sua vida.
Já Apolo Onze, habitante de Desatino do Sul, é filho de Apolo Dez e Madrugada e tem sete irmãs: cada uma com nome de uma das sete maravilhas do mundo. Quando ficou sabendo do bebê, seus pais fizeram uma convocação geral na cidade para uma festa que não tinha hora para acabar. E então a cidade inteira vive em prol dela: a economia se volta para coisas de festa, e todos se revezam em turnos para que sempre haja uma turma festejando, outra trabalhando e outra dormindo. O ponto alto dessa história toda é que Apolo Onze meio que ignora a festa e não tem muito querer de nada -- só de olhar a lua.
Então, um belo dia, quando um homem chega a festa de Apolo Onze, levando consigo a chuva e pulando o muro com um cavalo meio velho -- ele começa a querer algo. Ele quer continuar caminhando com aquele homem azarado, seu cavalo cansado e a chuva.
Do outro lado, Luna Clara vê dois homens encharcados vindo pela estrada e decifra o óbvio: era  seu pai que estava se aproximando. Então, sem mais paciência, ela corre para finalmente encontrar o herói das histórias de Aventura.
⭐⭐⭐


⭐⭐⭐
A história vai fluindo, e a cada capítulo a perspectiva vai mudando. Quando você termina um capítulo, já quer ler o próximo para saber no que vai dar aquilo tudo. As personagens são extremamente divertidas, cada uma com uma característica peculiar que completa o livro e as pontas são todas amarradas até o fim.
Aparentemente, ele é enorme, mas a gramatura é bem alta, tem margens ótimas, espaçamento entre linhas e ilustrações, o que acaba reduzindo a quantidade de palavras.
Esse livro tem um simbolismo especial para mim: quando eu li, ainda não conseguia ler livros relativamente grandes e ele me fez perder o medo de histórias maiores. Eu me apaixonei pela escrita da Adriana antes de sequer conhecer a Clarice (o ano era 2010, eu corria no pátio minúsculo da escola brincando de polícia e ladrão com os meninos e jogava queimada na educação física). A abordagem de temas como vida, morte, timidez, vontade, coragem, família e amor numa linguagem mais leve com tanta sutileza é de encantar qualquer um. Foi a minha primeira leitura (releitura né) de 2020 e eu não me arrependo de nenhum minuto.

Espero que as leituras estejam fluindo por ai ^^

beijos, Bebel.


Créditos do gif da Matilda: https://media2.giphy.com/media/ctHfPE19hKU5G/giphy.gif

domingo, 9 de fevereiro de 2020

metas pra quê??


cred.: Conan Gray

Começo de ano é aquela coisa: todo mundo felizinho com a ilusão de recomeços etc etc e então *tum tum tum* metas. Não tenho muito problema com metas, exceto o fato de ter percebido que elas me deixam ansiosa. Na verdade, quando me toquei disso (depois da última prova do período, enquanto minha vida pegava fogo e eu fingia plenitude assim), me coloquei a refletir eternamente (tentei escrever no tempo, mas nada saiu - como tudo que eu tentei escrever). Dai eu cheguei na pergunta do título: metas pra quê?


cred.: https://media1.tenor.com/images/4825b1e1db559614b8ba4090e8a39bfd/tenor.gif?itemid=12184332

Eu sei que metas existem para nos incentivar e blá blá blá, contudo, o que eu notei é que o mundo internáutico está nessa moda doentia de preencher quadrinhos no bullet journal a qualquer custo e isso ferra a saúde mental de qualquer um - afinal quem nunca  se enrolou na fila para pagar o boleto e não conseguiu ler aquela apostila? O fato é que a palavra "meta" tornou-se sinônimo de "uma coisa que eu provavelmente não vou fazer, mas vai que..?!"
Então, a primeira mudança que decidi fazer foi ressignificar a palavra. Agora, meta significa algo que  eu devo me esforçar em todas as minhas atividades para atingir, logo, algo bem mais generalizado. E, para satisfazer a pessoa que ama ano novo pela sensação de recomeços que habita em mim, coloquei uma meta apenas para vintevinte: todas as minhas atividades serão voltadas para minha felicidade - o que significa seguir sempre minha intuição também (o que virará outro texto posteriormente ou não). Outra mudança foi largar bullet e voltar para as agendas prontas. eu queria muito um planner, mas não achei um no tamanho que eu queria (menor possível) e no preço (o que tinha não valia o cobrado). Assim, aboli também os quadradinhos a serem preenchidos. Depois dividi as minhas coisas em três listas: o que eu quero, meus objetivos e afazeres.

⭐⭐⭐
⭐O que eu quero?
Essa foi a lista mais chatinha de fazer. Decidir o que realmente eu queria para mim e para esse processo o qual me encontro (expliquei um tico aqui). Eu escrevi algumas coisas na agenda como organização acadêmica, passear mais sozinha, focar nas coisas que eu posso fazer ao invés de focar nas que eu não posso, perceber a facilidade que é para resolver certas coisas antes de dar uma dimensão gigante para nada, ter paciência comigo mesma e voltar aos exercícios físicos.

⭐Quais são meus objetivos?
Essa lista é mais palpável que a anterior. Nela eu coloco as coisas (tipo viagens, ações e compras) que eu quero. Assim, fica mais fácil ver o que eu realmente preciso e os objetivos que eu posso cortar da lista porque são inalcançáveis no momento ou impossíveis. Nessa lista eu coloquei viajar para ver meus amigos no sertão, tentar convencer amigos a virem me visitar no meio do ano (Amora venha e traga Vanvan), comprar uma impressora térmica, mais livros (falei disso aqui), fazer mais posts no blog e afastar notícias do atual governo da timeline do meu instragram.

⭐E os afazeres hein?
Agora sim, essa é a lista mara que eu faço toda semana com os compromissos e tal. Graças a essa listagem eu posso evitar certos afazeres antes de dormir e realmente relaxar - pois eu sei que destinei um tempo x de algum dia para fazê-lo.

Percebam como eu pude se organizar sem pressão. Meu período da universidade ainda não começou, então não tenho certeza se essa organização vai ser suficiente para eu não concluir o período #surtada. No entanto, espero que eu consiga mesmo haha (ninguém merece chegar nas férias sufocada gente)
Espero que os métodos de organização de vocês esteja dando certo,

Cheirin,Bebel.


créditos do gif do Pingu:  https://media.tenor.com/images/d5b356cf40a939ed58a505c84698638c/tenor.gif

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Unboxing #1

cred.: https://media.giphy.com/media/3o6nV9DaFHclIIOHyE/giphy.gif

Eu consegui. Editei meu primeiro vídeo sozinha (não que eu tenha editado vídeos de qualquer outra maneira antes). Não ficou como eu imaginei, mas ficou bom. Esse ano me comprometi em comprar mais livros para ler -- fazia muitos anos que eu não comprava um livro de verdade, lia tudo no celular. Entretanto, me peguei adiando leituras que eram muito legais, porque ficava sem saco para elas. Então, fiz uma lista de autores que eu gostaria de ler, dei uma pesquisada em outras coisas, loguei no estante virtual e pronto! Comprei alguns livros que eu queria tanto há tanto tempo. O fato é que eu me tornei o que eu mais temia: a pessoa que quer falar sobre livros na internet. E que assim seja.
Já tinha um tempinho que eu queria muito compartilhar minhas leituras, mas acabava deixando para lá. Poréeeem, confesso que a Fernanda me deu a ideia dos vídeos com o canal dela. Basicamente ela fala de todo tipo de livro; de romance internacional, a literatura nacional e jogos vorazes, ou seja, tudo mesmo.
Criei um canal no youtube apenas para carregar os vídeos aqui (não encontrei maneira que fosse mais simples). Espero que vocês gostem dessa nova mídia que introduzo agora nesse blog.



Cheirin, isabel.





















créditos do gif da Mabel.: https://i.pinimg.com/originals/56/4f/0f/564f0faf4b1813ed802048a51658aee3.gif