domingo, 22 de setembro de 2019

Por aqui


Hoje é aniversário do blog de 5 anos. Descobri por acaso, porque fui fazer o mês de setembro na agenda e calhou de ver. Hoje fiquei o dia incomodada, talvez pela morte de (mais) uma criança inocente, talvez por mim mesmo, talvez por nada. Não queria deixar essa data assim, então vim aqui escrever um pouco. Ganhei um livro de poemas e estou lendo-o devagar. Toda vez que vou continuar a ler, volto para os poemas que mais gostei e releio infinitas vezes, faço mais anotações, leio um novo poema e fecho o livro para fazer algo que a vida real me exige.

Quem você levaria para uma ilha deserta (2019)

Comecei a reler Percy Jackson hoje, pela décima vez. Um vídeo que a Jout Jout fez sobre reler um livro com outra idade me impulsionou a fazer o que eu queria há um tempo. Como minha edição de PJO está longe, estou lendo o epub (pena porque tem um monte de anotação no físico). Quando terminar quero reler Harry Potter para ver se simpatizo mais com a história agora que a minha criatividade infantil não existe mais (todos os meus voos têm sido baixos desde que ela se fora). Escutei Sálvame o dia todo, e também áudio de desculpas. Ser de verdade tem um preço e eu sempre pago. Arranquei de uma vez o band aid e vi toda a segunda temporada de Elite. Irmãos. Não sei o que dizer.

No mais, esse pedaço de internet que habito tem me feito muito bem nos últimos cinco anos. Espero ansiosa (porém nem tanto, estou curtindo esse momento de agora) pelos próximos cinco.

Cheiro,


Bebel.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Cotidiano


Eu gosto do cheirinho de pão da varanda
Do barulho de ensaios do 7 de setembro
Eu gosto de pensar no mundo microscópico que ninguém – quase ninguém – repara
Eu gosto de sentir o vento bater nos meus braços
Gosto do sol quente fazendo transpirar a minha pele
Gosto do significado que eu dou para as coisas
E gosto mais ainda de falar sozinha.

Gosto do silêncio ameno em meio ao barulho
Gosto de respirar fundo
De luzes que piscam
De todos os absurdos
Que não fazem o menor sentido.

 Gosto de fingir que existo
Gosto de fingir que não
Gosto de carinho na cabeça
E de me sentir tão bem na solidão.

Gosto de lágrimas ao escrever
(como essas de agora)
Gosto mais ainda do jeito que você me vê
E que a gente se ignora.

Gosto de sentir tanto
E de sentir nada
De realmente dormir de madrugada
Gosto de respirar em meio ao caos
Gosto de sentir felicidade
Felicidade lispectiana.

Gosto de todas as palavras saídas da minha boca
E do jeito que eu encuco com alguém para,
Depois,
Ver que eu estava certa
Gosto de ser e simplesmente ser
Gosto de pedir desculpas
Por erros que eu acho que cometi
Gosto de me apaixonar, pois escrevo melhor.

Eu costumava amar a dor,
Porque nela me encontrava
Mas agora onde estou
Só me encontro no amor
Terra fértil que faz brotar tudo de bom
E se eu me encontro no amor
É porque dele sou feita
E se eu me encontro no amor
Não guardo espaço para além.

E se você não vê isso
A culpa não me pertence.
(não mais)




Andei sumida porque estava em um longo processo de reencontro e reconstrução. Respirar é bom, estar de volta também.





Bebel :3

domingo, 19 de maio de 2019

Desculpa pela trocentésima vez.

 

Desde que você se foi, uma lacuna sobrou em mim. Não é que eu tenha ficado incompleta - sou completa por mim - mas também não estou totalmente satisfeita. Divago sozinha sem ter você para dizer sim ou não, ou para debochar da minha teoria das galáxias. Sinto falta da rotina, dos teus olhos, teu sorriso e até teu piercing que eu achava tão feio. Sinto falta de tremer na base, e de dizer que te amo, e de pensar em você. Isso que me acalmava, me acolhia a alma, me ajudava a viver. Quis contar para as paredes as coisas do meu coração, mas nem elas quiseram ouvir. Ninguém ouviu-me tão bem quanto tu. E toda vez que eu penso em te falar todas essas coisas, lembro que somos como uma enzima e um sítio de ativação que não têm sequer 60% de compatibilidade. Esqueci as letras que tu me ensinou para lidar com minha ansiedade. Esqueci de como você falava inglês, francês e um pouco de italiano. Esqueci de coisas tão básicas, mas, num passe de mágica, lembrei de tudo de repente e meu coração apertou, mas não esses apertos de saudade quando nos convencemos porque somos felizes sem saber, e sim, aquele que nos deixa tristes a sofrer. Queria que tu beijasse minha boca e me libertasse, me cantasse como um coro, que eu fosse o tema dos teus sonhos, que fôssemos uma fênix no fogo.
Te pedi demais, eu sei. Fui para muito longe, vivi muitas aventuras, não quis voltar, parei de responder, perdi teu número e me arranquei eu mesma da tua vida. Mas, em todo esse tempo nunca me senti em casa. Não como no teu abraço.
Desculpa.


Sua Boo.